Migração de domínio é um dos poucos procedimentos de SEO em que a diferença entre fazer bem e fazer mal aparece em dias — e em que o erro é difícil de desfazer.
Antes de começar: toda migração tem impacto. O objetivo de um processo bem-feito não é evitar oscilação — é reduzir a perda e encurtar o tempo de recuperação. Quem promete migração sem nenhum efeito não está sendo honesto.
Etapa 1 — Inventário completo
Nada começa antes disso. É preciso ter a lista de todos os endereços do site atual, não só os que você lembra:
- Todas as páginas publicadas, incluindo as antigas que ninguém acessa há meses.
- Quais delas ranqueiam e para quais termos.
- Quais recebem links de sites externos — essas são as mais críticas.
- Quais recebem tráfego, mesmo que pouco.
- Arquivos que também têm endereço próprio: imagens importantes, documentos.
Migração sem inventário é migração no escuro. Páginas esquecidas que ainda ranqueavam ou recebiam links simplesmente desaparecem — e o efeito só aparece semanas depois.
Etapa 2 — Mapa de destino, um a um
Para cada endereço antigo, defina o endereço novo equivalente. Um para um, sempre que houver equivalente.
O erro mais destrutivo desta etapa é redirecionar tudo para a página inicial. É rápido de configurar e joga fora o histórico de cada página individualmente — o conteúdo que ranqueava aponta para algo que não responde à mesma busca.
Quando não existe equivalente exato, escolha a página mais próxima em assunto. Quando não existe nada próximo, é melhor deixar o endereço retornar erro do que mandar o visitante para um lugar irrelevante.
Etapa 3 — Preparar o destino antes de virar
O site novo precisa estar pronto e conferido antes da virada:
- Conteúdo publicado e completo, não pela metade.
- Estrutura de links internos apontando para os endereços novos.
- Certificado de segurança funcionando.
- Desempenho verificado.
- Configuração de idioma e região.
- Medição instalada, para conseguir comparar depois.
Etapa 4 — A virada
Na ordem:
- Ativar os redirecionamentos permanentes do domínio antigo para o novo, conforme o mapa.
- Ajustar o apontamento de DNS.
- Confirmar que o certificado do domínio novo está ativo.
- Enviar o sitemap novo nas ferramentas de webmaster.
- Registrar a mudança de endereço, onde a ferramenta oferecer essa opção.
- Manter a propriedade do domínio antigo cadastrada para acompanhar o que ainda chega nele.
Não desligue o domínio antigo. Os redirecionamentos precisam continuar funcionando por bastante tempo — não semanas. Enquanto houver links externos apontando para ele, ele tem função.
Esse ponto é o que separa uma migração planejada de uma perda de domínio. Se o seu caso for o segundo — o registro venceu, o site saiu do ar —, o diagnóstico está em domínio caiu: o que fazer com o site e o SEO.
Etapa 5 — Atualização externa
Redirecionamento resolve, mas link direto para o endereço novo resolve melhor. Vale entrar em contato com os veículos que mais importam para atualizar o endereço, além de ajustar:
- perfis em redes sociais e diretórios;
- assinatura de e-mail e materiais próprios;
- anúncios ativos;
- qualquer integração que aponte para o endereço antigo.
Etapa 6 — Monitoramento
É onde a maioria falha, porque relaxa cedo demais. Acompanhe semanalmente:
| O que observar | Sinal de problema |
|---|---|
| Erros de rastreamento | aumento de páginas não encontradas |
| Indexação do domínio novo | páginas entrando devagar demais ou não entrando |
| Posições por termo | queda que não se recupera após algumas semanas |
| Tráfego por página | páginas específicas que zeraram |
| Redirecionamentos | cadeias longas ou loops |
Problemas de migração aparecem ao longo de semanas, conforme o rastreamento avança.
Os erros que mais causam perda
- Redirecionar tudo para a página inicial.
- Esquecer endereços antigos que ainda tinham valor.
- Desligar o domínio antigo cedo demais.
- Trocar domínio e reestruturar o site ao mesmo tempo — duas mudanças grandes juntas impedem saber o que causou o quê.
- Publicar o destino com conteúdo incompleto.
- Parar de monitorar na primeira semana boa.
Se a sua migração já aconteceu e o tráfego caiu, vários desses erros são corrigíveis — o caminho é diagnóstico e recuperação.
Vai migrar e quer reduzir o risco? Na análise do projeto eu monto o inventário, o mapa de redirecionamento e a sequência de virada — com o que precisa estar pronto antes de qualquer coisa ir ao ar.
Perguntas frequentes
Quanto tempo leva para estabilizar depois da migração?
Varia com o tamanho do site e a frequência de rastreamento. Sites pequenos costumam estabilizar mais rápido; sites grandes levam mais tempo, porque cada endereço precisa ser rastreado novamente. Não há prazo garantido.
Por quanto tempo preciso manter o domínio antigo?
O máximo que for viável. Enquanto existirem links externos apontando para ele, os redirecionamentos continuam tendo função. Desligar cedo joga fora parte do que a migração tentou preservar.
Posso migrar e mudar a estrutura de páginas ao mesmo tempo?
Tecnicamente sim, mas dificulta muito o diagnóstico se algo der errado — você não saberá se o problema foi o domínio ou a estrutura. Quando o prazo permite, separar em duas etapas é mais seguro.
A autoridade do domínio antigo passa para o novo?
Parte tende a ser reconhecida através dos redirecionamentos, mas não é transferência automática nem integral. Tratar migração como mudança de endereço sem perda é o que gera as piores surpresas.